3/28/2008

RECEIOS


Hoje eu chamo de receio, pois afinal de contas tenho uma reputação a zelar! Alguns, mais sinceros, chamam de medo, outros de cagaço, aperreio, pavor e por aí vai, dependendo do tamanho e da circunstância. Tenho med... quer dizer receio, desde novo, acho que nasci com esse sentimento e sempre busquei no sobrenatural e, às vezes no natural mesmo, motivos diversos que me mantivessem neste estado de alerta constante, usava e ainda uso o sobrenatural e o natural como minha fonte particular de adrenalina e assim vou vivendo muito bem obrigado.

Posso rapidamente visualizar as etapas da minha vida de acordo com os receios que tive em cada fase vivida se assim quiser. Quer ver? Quando criança, antes dos seis, de escuro. Não suportava a noite com sua negritude e seus mistérios. Quando ia passar o dia, como se chamava na minha época, na casa de primos ou mais raramente na casa de amigos, brincava muito durante o dia, mas quando ia anoitecendo... Parece que alguma coisa, eu não sei explicar bem ao certo, mudava dentro de mim, e então, era um medo misturado com saudade e o choro vinha, grande, sofrido e para os outros que observavam, engraçado, pois como se sabe o trágico e o cômico, choram e se divertem de mãos dadas, juntinhos.

Batia a noite eu queria voltar pra casa de qualquer jeito, impossível dormir longe dos meus pais, pois tinha medo (é, medo mesmo e daí?!) de quando voltasse fosse tarde de mais, eles poderiam estar mortos ou, se por um motivo ou outro, acabasse adormecendo e quando acordasse, todos descobrissem que eu ainda mijava na cama. Na verdade todos sabiam, mas sabiam por assim dizer, nunca tinham visto e, mijar na cama não é que nem Deus, que apesar da agente não ver, a gente sabe que existe. Precisa ver o mijão, para crer!

É, não posso negar, eu mijava e mijava a valer, em média, três vezes por noite durante longos anos, o papai coitado, estava para pedir arrego, pois era ele quem me acordava para trocar a roupa da cama, a minha roupa, estender tudo... Lá pela terceira mijada ele “pilatava” (verbo que eu criei relacionado a Pôncio Pilatos e influenciado pelo Cony que quer dizer lavar as mãos, deixar prá lá ou mesmo cagar e andar).

Na verdade nem lembro o dia que eu parei de mijar na cama, acho que quando eu comecei a surfar ainda mijava, o que era completamente incompatível com o universo heróico dos surfistas। Heróico e cheio de apelidos, brincadeiras e encarnações, se a galera soubesse, logo logo eu seria o mijão das marés! Não tem aquele cantor de banda de rock que é skatista, o chorão, pois é, fatalmente eu seria o mijão do surf e seria a minha ruína como praticante de esportes radicais.

Agora, como estamos aqui pelo medo então ao medo voltaremos, e espero que você esqueça o parágrafo acima ou, pelo menos, tenha a consideração de guardar segredo, caso contrário, a sagrada confiança, o bendito elo entre escritor e leitor, mesmo que o escritor tenha sido um mijão em sua infância e em parte da sua adolescência, será quebrado e aí eu “pilato”, esqueço de você! E por favor pare de rir, pois sabe-se lá o que você não esconde da sua própria infancia!
Na adolescência era diferente, tudo na adolescência é diferente, é um poder, uma força, um tesão, aqueles hormônios todos mexem com a cabeça da gente, não tem jeito, e são outros papos, outras ondas e outros receios. Eu como não fui, digamos assim, um adolescente convencional, pois eu aprontava à beça, era impossível dormir em casa, pois tinha medo de voltar cedo demais, tudo ao contrário da infância, tinha receio de chegar e encontrar meus pais acordados, preocupados, e aí já viu. Ah! Ia esquecendo, nesta época eu comecei a beber, comecei a fumar e comecei a fazer sexo também. Digo com mulheres, pois sozinho já fazia faz é tempo, e assim, envolvido nesse turbilhão de atividades, não tinha como eu não ter medo, pois eu sempre estava devendo em algum ponto, algo a alguém.

Dá adolescência pularei para a fase do vestibular e o medo era, claro, não passar novamente, pois já tinha pego pau na primeira vez! Escolhi o curso de direito, na época 11 (onze) por vaga, hoje vejo que poderia ter escolhido um curso menos concorrido, sei lá, biblioteconomia, filosofia, mas arrogante como sou... Neste ano eu estava contando com um aditivo, a mamãe resolveu, para me dar uma força, um incentivo, um apoio, se inscrever também e assim o fez, curso de letras e artes. A velha ia encarar o vestibular sem fazer cursinho nem nada, só com a cara e a coragem, bem típico dela.

Na época achei super legal, achei moderno, eu com 20 (vinte), ela com 47 (quarenta e sete) anos. Mãe e filho, fazendo vestibular juntos era no mínimo engraçado. Neste ano, até que estudei, passei algumas noites em claro e eu sem saber nada já era metido, estudando então era insuportável! Virei da oposição, geralmente quem pensa que sabe alguma coisa vira da oposição, pois os meus amplos conhecimentos de história, geografia e tudo mais, me impulsionaram e eu não perdia uma discussão, entrava em todas e abria o verbo. Enquanto isso, por lá pela melhor idade as coisas corriam na maior tranqüilidade, a mamãe não tocava em um livro, não assistia ou lia um jornal, chamava os beatles de “bítolos” e ainda pensava seriamente em votar no Collor, lembram dele? Pois é...

O resultado, pelo o que foi escrito acima é previsível, pois é, vocês já devem imaginar: A MAMÃE PASSOU E EU NÃO PASSEI. Juro que eu pensei em ir à faculdade em que ela prestou vestibular e pedir explicações para o reitor.

- Meu senhor, me explique como pode uma coisa dessas? Você é um irresponsável! Como é que você admite uma pessoa como essa nesta faculdade... Ela fez vestibular para me dar força, nem estudou, chama os beatles de “bitolos”. Bitolos!!! E ainda mais, vai votar no Collor. Onde nós estamos?! Que país é esse?!

Mas veio o pessoal do deixa disso e eu achei melhor não dizer essas verdades.

Não satisfeita, a mamãe concluiu o curso e foi uma das primeiras alunas da turma. Suas médias, em sua grande maioria, eram 10 (dez), o que me acarretou uma preocupação e um medo a mais, pois fiquei com medo de passar no vestibular e não ter o mesmo desempenho, como de fato aconteceu... Ao final, um ano depois, entrei na faculdade no curso de direito e três anos depois fui paraninfo da minha mãe, que obviamente, se formou primeiro que eu.

As estórias de visagens me amedrontam até hoje, parentes que já se foram, fantasmas que pedem carona no local em que morreram, estórias de assombrações, lugares, sentimentos como inveja, raiva enfim... Acredito até que pessoas e lugares emanam energias boas e ruins e temo.

A propósito, o desejo de escrever sobre este tema, veio em razão dos sucessivos ataques de animais que tenho sofrido por aqui, na casa nova, pois também temo animais, animais ferozes ou nojentos e animais ferozes e nojentos। Não falei, mas mudei de casa, não satisfeito, mudei de cidade e estado। Na frente da casa nova, temos três árvores de médio porte, que segundo o vizinho, que é paisagista, tem mania de grandeza e foi quem plantou, são árvores de pau Brasil. Por trás das árvores temos o muro da frente de casa que é coberto por hera, que para quem não sabe, é aquela trepadeira que vai se espalhando, tomando conta de tudo que está pela frente e que se você deixar entra até pelo seu ouvido. Acho que o nome desta planta está relacionado àquela deusa grega ciumenta e possessiva que perseguia o Hércules. Bem, esta bendita hera tem servido de abrigo para inúmeros animais e insetos mal feitores que tem me atazanado a vida...
Dia desses estava escrevendo, relaxado, tomando um chazinho quente, quando ouvi um “buff”, preste bastante atenção leitor, foi um “buff” e não uma bufa, se fosse uma bufa eu falava pois não falei que mijava na cama? Foi um barulho meio abafado, aveludado, de coisa ou algo que tinha caído. Na boa e com calma, virei para olhar, vi que era uma aranha pouco menor do que a minha mão, dessas cabeludas, que dizem não ter veneno e aí eu completo: precisa!!?

O bicho já envenena só com a imagem!

Já que minha mulher estava na faculdade, que é quem administra estes incidentes terríveis, então só me restou encarar o nojento. Pensei em pegar o revólver, mas como não tenho, pensei em comprar um qualquer dia, na hora, corri e peguei a vassoura que estava encostada no muro da frente de casa, aquele que tem a hera. Quando peguei a vassoura, tinha uma osga ou lagartixa, ou mesmo uma briba, como chamam por aqui pelo nordeste, que pulou do cabo da vassoura para cima de mim. O animal era do tamanho de um pão francês! Na hora fiquei tão aborrecido com o novo susto que eu peguei, que pensei em correr pra aranha e dizer pra ela, que a osga, a lagartixa ou a briba, tinha dito que a mãe dela era puta. O bicho safado é osga! Com a vassoura na mão, adentrei em casa e parti direto para cima da aranha, claro que esta ação exigiu alguns gritos que eu, como um guerreiro, um samurai, desferi ao longo da batalha que culminou com o óbito do artrópode.

Na mesma semana, acho que dois dias depois, enfrentei um inimigo mais poderoso... Passei pela sala de casa e percebi no chão algo parecido com esses saquinhos de jóias, sabe como é, de camurça, cor cinza, esses saquinhos que geralmente guardam anéis de outro etc... Quando me aproximei pra pegar, adivinhe? O saquinho não bateu as asas? Era um morcego! Porra um morcego dentro de casa??!! Corri para pegar a vassoura que estava naquele mesmo lugar e lembrei da osga, fiquei tão puto com o susto que levei do morcego, que pensei em dizer pra osga, ou lagartixa, ou mesmo briba, que o morcego tinha falado que o pai dela era veado, mas dessa vez ela não estava lá. - Onde estão as osgas quando mais se precisa delas? – pensei em voz alta e o resto vocês já sabem, peguei a vassoura e como um guerreiro, um samurai e blá, blá, blá...

Hoje, estou aqui, escrevendo no mesmo lugar de sempre, mas dessa vez estou com a vassoura ao lado e pronto para o quer e vier. E nada da minha mulher chegar da faculdade...

3/21/2008

Cheravaldo: Dúvidas.

Note bem, caro leitor, que a maioria dos amigos homens enviaram como sugestão o seu próprio nome para o meu próprio filho, o que já abre uma questão presente ou futura para estudos psicanalíticos, estudos curiosos, engraçados ou no mínimo rende assunto para uma outra crônica. E um outro detalhe muito interessante, a maioria dos que deram o seu próprio nome como sugestão para o meu próprio filho, tem filhos e os filhos destes não tem o nome do pai!?

Fiquei intrigado e me pergunto quais são as razões possíveis para este fato? Pode ser uma boa dose de sacanagem? Pode ser, pois de repente o amigo acha o seu nome tão escroto que não acredita que alguém em sã consciência o daria a um bebezinho... Pode ser uma frustração? Pode ser, pois no fundo eles queriam que seus filhos tivessem os seus nomes e essa não deixa de ser uma forma inconsciente de tentar se reinventar, de não repetir os mesmos erros, de começar do zero através de uma pessoa, porém como não tiveram a mesma presença de espírito ou a boa dose de argumentação que eu tive, modéstia à parte (favor ler Cheveraldo: O embate), cederam as artimanhas de suas respectivas mulheres... Pode ser que gostam de mim, a ponto de, ofertarem seu próprio nome... Pode ser, tenho aprendido e praticado, ao longo desses 37 (trinta e sete anos), que na vida tudo pode, desde que não se passe por cima de ninguém. De qualquer forma agradeço o empenho e, continuo em dúvida!

3/19/2008

CHERAVALDO: AMIGOS (CONTINUAÇÃO)

O “Zé” Márcio, vulgo carneirinho, mandou as suas também: Cebolinha de Carvalho e Carvalhinho. Cebolinha era meu apelido quando estudava, ou melhor, ia a aula no colégio Ideal, outro palco de grandes estórias e o “Zé” é meu amigo desde essa época. Cebolinha foi um apelido dado equivocadamente e, como na época tinha um pichador em Belém que pichava “Cebola” pelas ruas da cidade, com o “o” do cebola sendo a cabeça do cebolinha, personagem do Maurício de Sousa, acabei deixando ficar, pois o colégio pensava que era eu e isso naquela época dava status de escroto, status este que eu nunca ia ter de outra forma, já que não era escroto nem nunca ia ser. Menino criado protegido pelo pai, cheio de cuidados e outras vergonhas mais da época que os pais submetem aos filhos e que hoje deixam saudades.

Zé Márcio, não vou dar meu apelido para ele não, ele vai trilhar os próprios caminhos e tratar de conseguir o dele e espero que não seja do meu jeito. Espero que mesmo com a minha imposta proteção, com as futuras vergonhas que eu vou forçar, ele me drible e seja um escroto, agora quanto à “Carvalhinho”, neste caso ele será, fatalmente, é só questão de tempo.

CHERAVALDO: AMIGOS


A Darla, querida amiga, também teve a delicadeza de dar suas sugestões que englobaram as da Pietra, sendo que sai Ronaldo (Gaúcho, hã!) e entra Cauê. Outro amigo que enviou sua sugestão foi o Gualter de Oliveira Rocha: ARTHUR FERREIRA DE CARVALHO. Nome imponente, nome de um lendário rei, mas apesar dessa grandeza toda eu preferiria Arturo, como o trompetista cubano Arturo Sandoval, mas sem o Sandoval, obviamente.

O Gualter eu conheço a mais de 23 anos, e criança, o vi crescer e fui acrescendo junto, pois tempo é implacável e alcança a todos, e acompanhei muitas de suas fases e pretendo, se Deus quiser, acompanhar muitas outras. Temos tantas estórias e histórias para contar que poderíamos organizá-las por temas, por anos, por alegrias, por tristezas, enfim de várias formas, mas como estamos falando de nomes...

Uma delas se deu quando eu morava em São Paulo. Sempre achei o nome Gualter incomum, e quando criança, até chegar no nome certo do meu amigo, chamei de Cláuter, Glauter, Alter, Gauter e vários outros. O interessante disso tudo é o Gualter sempre me atendeu com muito boa vontade, com uma enorme paciência e sem reclamar, como se estivesse habituado com esse (preste atenção leitor, com este!) troca-troca. Um dia, para meu espanto, eu estava indo, de táxi, visitar a um cliente, salvo engano, para o bairro alto da lapa em São Paulo quando vi a placa: ALAMEDA GUALTER! Liguei na hora para o Gualter e disse, você não vai acreditar tem até rua com seu nome! Claro que ele devia saber, mas eu não sabia pô! Hoje sei que existe até santo com o nome de Gualter, santidade esta que de fato o Gualter não possui.

Outra sugestão veio do Wanderlei, colega de trabalho em uma dessas minhas andanças pela área comercial. Denílson Sandro foi à sugestão, inspirada no nome de um outro colega de trabalho: Denílson Sandro Virgulino Baía! Claro que a sugestão foi para me descontrair, pois o conjunto é muito ruim e virgulino, francamente... Não tenho nem palavras.

Obrigado, “amigo”.


3/15/2008

CHEVERALDO: APARTES


I APARTE

Um detalhe interessante é que Pietra, Pedro e Pietro são variações sobre o mesmo tema e significam pedra, ou mesmo rocha, o que analisado ao pé da letra, transformaria o nome em um nome muito simples, ou com uma beleza, quando muito, apenas estética. O que alguns, ou muitos poderiam dizer: mas beleza é estética! E completar com o “hã”, dito linhas acima, pela Pietra, para ilustrar a minha inocência. Seguindo essa linha cheguei à primeira premissa que deveria me orientar na escolha do nome: a beleza!

Mas só beleza basta? Claro que não! E segui na mesma linha de Pedros, Pietras e Pietros me perguntei: O que seria deles se Jesus Cristo não tivesse tornado vossos nomes, plenos de significado, ao convocar um homem simples, um pescador chamado Simeão a ser, ao invés de um simples pescador, um pescador de homens, de almas! E arrematar dizendo: “...sobre teu nome construirei minha igreja!...” Tornando assim Pedro, na “rocha” ou pedra fundamental de toda a igreja católica!
E aí, naturalmente e inquietantemente, cheguei em outro balizador para nomes: o significado!

UMA CURIOSIDADE

Detalhe, eu nasci no dia 29 (vinte e nove) de junho de 1970 (mil, novecentos e setenta). Ano em que o Brasil foi tri campeão mundial de futebol e dia de São Pedro!!! Sei, vocês querem saber porque eu não me chamo “Pelé” ou, evidentemente, Pedro, né? A resposta é: sei lá, perguntem para o meu pai, que tem o nome de José Ribamar e nem maranhense ele é, aliás ele tem uma promessa para pagar para este santo São José de Ribamar e até hoje não pagou. Escroto também é fazer promessas para outro pagar, mas esse é um assunto para outra crônica.

Voltando ao que interessa, confessar eu até confesso, que essa evidência me deixa ligeiramente inclinado ao nome Pedro, mas não basta, pensem bem leitores, o nome acompanhará o meu filho pela vida inteira, ou como o direito mesmo sentencia, até o pós- vida. A vida acaba e o nome permanece na sucessão, na partilha de bens, na boca dos vizinhos etc.

Na busca, segui seguindo, como diz “o outro”, e enviei um e.mail para algumas pessoas queridas, informando da gravidez, do sexo, da felicidade e ao mesmo tempo, pedindo inocentemente a sugestão de nomes.

Depois da Pietra, o primeiro a mandar os parabéns e as sugestões foi o Eduardo Neves, padrinho, boêmio, compositor do hino de Belém e amigo muito querido. Os nomes sugeridos foram: Eduardo, Oscarino, Lóris, e Cheravaldo. Eduardo Oscarino Martins das Neves é o seu nome de batismo, daí entender o porque dos nomes Eduardo e Oscarino. Lóris é o nome do seu irmão mais velho, compreensível também, agora CHEVERALDO!

Pô Dudu, não faz isso comigo não, corri até no “google” e não encontrei nada, além do mais, Cheravaldo pra virar cheira outras coisas “são dois palitos”. O moleque iria sofrer demais no colégio, no trabalho, com a mulher... Confesso que cheguei até a pensar, com um certo estranhamento é claro, em CHEVERALDO, mas decididamente não dá, vá cheirar você o que bem entender.

Outro amigo que enviou sua sugestão foi o Ricardo Eleres. Sugeriu o nome de Ricardo Carvalho
.

II APARTE

O Ricardo Eleres nasceu dia 28 de junho, um dia antes do dia que eu nasci, sendo canceriano também e reunindo algumas características maravilhosas que todos os cancerianos que se preze têm, ou pelo menos deviriam ter. Só sei que eu, como bom canceriano que sou, as tenho. Ano passado, nasceu seu primeiro filho, o Henrique.
Ia esquecendo, sabe que dia o Henrique nasceu? Dia 29 de junho de 2007.

Fecha apartes.

3/14/2008

CHERAVALDO EM: CUIDADO CRIANÇAS PERGUNTANDO

Certo dia, conversando com a Pietra, minha filha mais velha, que apesar, da imponência de ser a filha mais velha, tem apenas cinco anos de idade, perguntei o que ela pensava a respeito de vir a ter um irmãozinho e qual o nome que ela colocaria. O que de pronto, ela me respondeu:
- Ah pai! Acho legal, mas preferia que fosse uma irmãzinha. Dá pra mudar? – Perguntou com a maior naturalidade, como se eu fosse comprar o moleque no supermercado da esquina, junto com o pão, o suco e ainda pudesse devolver caso não ficasse satisfeito, o que, não sei porque me conduziu aquela estória de quadros, tintas e pincéis com uma certa tristeza e eu disse que não, confesso que com um certo pavor dela perguntar o porquê do não e me embaraçar mais ainda. Mas, ela, superando o trauma de não ter uma irmã e sim um irmão, trauma este que levou aproximadamente 3 (três) segundos para ser superado, metralhou sem tirar os olhos da televisão:
- Então bota Cauã, Gabriel, Pietro ou Ronaldo...
Surpreso por suspeitar que ela já tinha pensado na possibilidade, pela rapidez da resposta, talvez nas suas brincadeiras de pai e mãe, e curioso pela a escolha do nome Ronaldo, perguntei:
- Mas porque Ronaldo filha?
- Por causa do “gaúcho” pai, hã!!! - e fez aquela expressão que se faz quando o outro não entende o óbvio – E concordei, claro que pelo “Gaúcho”, o outro, dia desses, acabou de romper ligamentos, está todo lascado pensando até em parar...
Dias depois, ela acrescentou mais dois nomes a sua pequena lista, Pietro e Pedro, que na verdade, são as versões masculinas de Pietra.

3/13/2008

CHERAVALDO - O EMBATE

- Não é justo! Eu, que sofro as transformações do corpo, passo mal, enjôo, para você que passa os nove meses no bem bom, não sente nada disso que eu estou sentindo, vir colocar o nome - disse ela, com uma certa razão, admito. Mas...

- Amor, entenda isto como se fosse a pintura de um quadro onde o pintor sou eu! Você acha justo que ao final, eu, o grande autor, o artista, chamasse outra pessoa para dar nome à obra prima que eu pintei? – argumentei eu;

- Mas de quem é o quadro? – retrucou;

- O quadro é seu, sem dúvida, mas o pincel e a tinta são meus e além do mais você não pinta como eu pinto...

- Mas sem o quadro você...

- Eu poderia pintar em qualquer lugar: parede, poste, papel... – interrompi, finalizando e convencendo.

Passado o embate inicial, de definições de direitos, cheio de autoridade e com a grande responsabilidade de dar um nome que acompanhará ou perseguirá, dependendo da escolha, um ser humano por sua vida inteira, vi que não sabia por onde começar... Confesso que a partir disso se já era, fiquei mais atento à vida, as pessoas, a história, enfim, as coisas do mundo.



Cheravaldo



Grávido de quase cinco meses, dia desses, me peguei pensando que nome teria meu filho, pois hoje já sabemos que é um menininho saudável e que mexe muito, que está dentro da barriga da Karina, esperando pacientemente sua vez de conhecer esse mundo maluco e fascinante em que vivemos.

Na verdade estava pensando não só no nome eu daria ao meu filho, pois agora é minha vez de dar o nome, como no poder de dar o nome. É, isso mesmo, agora eu tenho a força.

O engraçado de casar com quem já foi casado, é que geralmente, o atual parceiro (a) paga o pato por situações ocorridas no casamento anterior, pois se nós formos parar para pensar, o que é que a minha atual mulher tem haver com o fato da minha ex-mulher ter tido o privilégio de ter colocado o nome na minha filha, oriunda do primeiro casamento!? Nada! Não tem nada haver, mas isso serviu como um fortíssimo argumento para que eu me firmasse como dono do direto de dar o nome dessa vez.