Entregamos bêbados em domicílio

(pelo amor de Deus, receba!)
No bar da esquina, conversa de balcão entre cliente e dono do bar...
- Alfredo, que sacada esse serviço de entrega de bêbados em domicílio! Coisa de primeiro mundo, acho que nem na Holanda hein!!! E de lambuja ainda deve ter aumentado a freqüência do bar em pelo menos 50%।
- É rapaz, confesso que no começo ganhei algum dinheiro, comecei sem pretensão, com um moto-bêbado apenas। E não é que deu certo!? Depois, foi crescendo, coloquei mais moto-bêbados até que tive que comprar uma “fiorino” e logo passei para as “Vans”. O “delivery” cresceu tanto que tive que comprar um ônibus, mas hoje nem assim, nem assim. Agora, por último, tive que terceirizar, o transporte já dá mais dinheiro que o bar e eu só não fecho porque um depende do outro. Corda e caçamba, sabe como é?
- Que beleza Fredão, bota mais uma aí pra mim।
- Mas não pense que é um mar de rosas não, já estou tendo alguns problemas। Pra você ter uma idéia, tive que alugar a casa aqui do lado, pra servir como ponto logístico e depósito de bêbados.
- Porque?
- Tem mulher que não quer mais aceitar o marido de volta। Acredita? Tem casos em que o moto-bêbado, ou até mesmo Vans, tem que voltar com os bêbados e ainda dar outra viagem para pegar as coisas, roupas, sapatos. Depois elas voltam só para pegar os carros e já era.
- Não me फले!
- Falo! Teve um caso, que até o cachorro do pinguço foi expulso। O pobre do cachorro nunca dirigiu, nunca bebeu e acabou pagando o pato, teve que vir embora junto com o dono. Chegou aqui no bar e fez o maior sucesso, como o dono não lembrava o nome dele, logo o apelidaram de “bafômetro”, é bafo pra cá, bafo pra lá. Hoje está por aí pelos cantos, triste, deu até para beber.
- Mas me diga, e quando esses caras acordam, o que eles falam para você?
- Não falam nada, acham graça e começam tudo de novo, tem nego que já está a dois meses nessa ciranda।
- Cara que situação...
- Pois é, tem de tudo, cada confusão...
- Imagino...
- E quando tem entrega trocada?! Hiiiii!!! Teve um caso em que dois amigos vieram juntos, se embriagaram e na hora de ir embora, um deu o endereço do outro।
- E aí? Deve ter tido o maior pau?
- Nada, estão super felizes, um com a mulher do outro। Ouvi falar que deixaram até de beber...
- Não diga...
- Digo! Teve outro engano que ainda foi mais complicado, entregamos um bêbado em um convento...
- O que aconteceu?
- As freiras não querem devolver, argumentam que foi milagre e ele está lá até hoje। Já deu até polícia pra tentar resgatar o bêbado e nada.
- Pô, que situação।
- Pois é। Estou tentando me livrar dos bêbados rejeitados de tudo que é jeito. Tenho feito várias ações para desencalhar os bêbados abandonados. Já lancei várias campanhas tipo: “adote um bêbado”, “plante uma árvore e leve um bêbado ou vice-e-versa”, “Vá beber assim lá na china, Pequim 2008”. De vez em quando consigo me livrar de um, mas para cada um que vai, voltam dez, é uma proporção ingrata. Nem Hércules cara, nem Hércules...
- Cara não me conte!
- Cara, conto! Com tudo isso, até eu perdi a mulher, tanto trabalho que nem pude mais voltar e a Henriqueta acabou me deixando e ficando com tudo, só me restou o Bar ou sei lá como isso se deve chamar agora।
- Fredão, sinto muito por você, mas deu a minha hora, têm um moto-bêbado pra me levar em casa?
- Claro, já é!

2 Comentários:
teste!
É meu irmão, infelizmente já é falecido o primeiro bêbado que eu vi ser "entregue" em casa, lembra quando contei sobre o lendário morador de São João de Pirabas, o querido Bagre?!
Que já saía de casa para beber com seu carrinho-de-mão e os amigos o colocavam dentro no final da bebedeira e o levavam em casa?!
Se vivo fosse, poderia até prestar assessoria para muitos bares, restaurantes, hotéis e similares. hehehe
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