Cheravaldo em: Meio quilo
A sala estava lotada, e foi só o que eu percebi quando cheguei, sequer olhei para os meus companheiros e companheiras de espera, na verdade, companheiras em sua grande maioria, poucos pais acompanhavam as futuras mamães ali presentes e eu era um deles. Geralmente, em uma situação como essa, eu começo a observar o lugar, as pessoas em volta, seus comportamentos, roupas, tiques... Mas dessa vez não, apesar da Karina está comigo, meu único contato com o mundo exterior foram algumas revistas velhas, dessas de consultórios, que eu imagino que os médicos trazem das suas próprias casas, já devidamente vistas e desatualizadas, com os artistas das fotos, já todos separados ou casados com pessoas que estavam em outras páginas ou mesmo eu outras revistas. A Karina, que já está com a senha na mão, que é mulher, futura mamãe e fala pelos cotovelos, faz a primeira pergunta:
- Você está ansioso para ver como é que ele é? – As mulheres são engraçadas, quando você não fala nada, não pergunta nada, ela faz uma pergunta pra você, só que quem reponde é ela mesma, a pergunta nada mais é do que um gancho, um brado, um pedido de atenção, e continuou:
- Eu estou! Queria ver como é o rostinho dele. Será que ele é careca como eu era ou é cabeludo? Você era careca? Como será que ele está aqui dentro? – E calou sem dar a mínima para minha resposta, como era de se esperar.
Eu realmente não estava ansioso, ao contrário, estava tranqüilo e minha única preocupação naquele momento era saber da saúde, as preces feitas por mim durante a noite, antes de dormir, pediam basicamente por isso e de outras pessoas queridas. Queria que ele estivesse saudável, crescendo direitinho, nos conformes médicos pediátricos e coisa e tal. Estava mais preocupado com a essência, o resto é o resto, qualquer coisa depois é só comprar uma peruca se for o caso, aproveito e compro logo uma pra mim, já que o meu cabelo está caindo... O bebê ainda nem tem cabelos e os meus já estão caindo, será que isso quer dizer alguma coisa? Quando eu ia começar a divagar sobre os cabelos, ausência de cabelos, “interlace”, apliques a atendente falou:
- Karina Coragem! Por favor... – nos levantamos num salto e uma moça foi nos conduzindo ao lugar onde seria feito o exame, caminhamos, até agora não sei porque, meio apressados, como se fosse urgente e houvesse a possibilidade de em caso de atraso, o bebê não pudesse nos esperar. Bem, chegamos em uma salinha à meia luz, teto rebaixado com gesso que, tornava o ambiente menor do que realmente era, e poucos móveis. Finalmente os preparativos foram iniciados com minha mulher deitando em uma cama, dessas de consultório – hãa !claro, estávamos em um consultório! (como diz a Pietra para alguém que não entende o óbvio). A Karina me abriu um tímido sorriso e levantou a blusa até a altura dos seios, deixando a barriga de 5 meses, redondinha, descoberta à mostra. Nesse momento, eu procurei um lugar para sentar e me posicionei atrás da médica e de frente para um monitor, onde o bebê ia aparecer, onde o show da vida iria começar, não sei porque me veio na cabeça agora o slogan do “fantástico” e a Isadora Ribeiro saindo da água com aqueles olhos verdes...
Abre aparte
Da união dos meus pais nasceram dois filhos. Eu, Jorge Antonio Ferreira de Carvalho, hoje com 37 anos de idade e minha irmã, Andrezza Ferreira de Carvalho, com 31 anos de idade, logo, como se pode observar, temos uma diferença de idade de seis anos de um pro outro, lapso temporal bastante razoável, e que quase não é mais utilizado hoje em dia, acredito que, ou em razão da velocidade com que as coisas acontecem, ou mesmo pela própria durabilidade das relações matrimoniais de hoje em dia.
Abre aparte do aparte
Hoje para se ter filhos, há de se fazer um planejamento minucioso, que envolve finanças, férias, período, conciliações com colegas de trabalho e muitas vezes, pasmem, até permissão do chefe! É verdade, tem gente, que com receio de perder o emprego, pergunta ao chefe se seria possível ter um filho. Que mundo é esse que estamos vivendo não é mesmo? Acho que são fantasmas da revolução industrial que ainda permanecem por aqui e vez por outra voltam para nós assombrar.
Veio na minha cabeça um, ou melhor os vários tipos de diálogos, de uma mulher com seu chefe (ou os vários tipos de chefes), sobre o fato de poder ter filhos ou não.
Com o chefe casca grossa
- Huff, coff, gasp, Seu Adamastor, se o senhor tiver um tempo, gostaria de falar sobre um assunto particular – diz apavorada a funcionária;
- Dona Matilde, quantas vezes já lhe falei que tempo é uma variável que já não temos mais! Vai, desembucha logo enquanto eu vejo esses e.mail’s. Que droga, derramou café!!!
- Não se preocupe, eu lhe ajudo, pode deixar que eu limpo...
- Tire a mão de mim, e fale logo o que você quer antes que eu perca minha paciência de vez!!!
- Huff, coff, gasp , é que eu e o Martinez, meu marido, estávamos pensando...
- Não me interessa o que você, o Martinez e o escambau estavam pensando, na verdade você nem é paga para pensar, você é uma executiva e como executiva tem que executar! E por falar nisso, você já fechou seu objetivo? Vai deixar para a última semana do mês? Quantas vezes eu tenho que repetir que na última semana ninguém compra nada!!!
Neste caso, se a Dona Matilde estava grávida, perdeu e se não estava desistiu.
Com o chefe sedutor
- Bom dia Richard, gostaria de ter um minutinho da sua atenção, em particular é claro...
- Claro Jackeline, pode falar... - Richard responde sem tirar os olhos do colo da funcionária.
- É que eu estava pensando em ter um filho...
- Huff, coff, gasp, mas agora?!
- É Richard, porque o espanto, já está mais do que na hora, tenho 30 anos e já estou me preparando desde os 26.
- Não falo pela hora, nem pela sua idade, pois realmente você está no ponto, falo pelo local pois estamos no trabalho e alguém pode entrar... Não pode ser depois do expediente, na minha casa ou quem sabe na sua?
- Richard, eu falei que quero ter um filho, mas não disse que esse filho teria que ser seu!
O chefe cabeça de bacalhau (a gente sabe que tem, mas nunca viu)
- Oi Cândido, bom dia! Se o você me permite, gostaria de trocar uma idéia. Sabe como é, queria sua opinião...
- Claro Shirley, pode entrar, sente-se... Não repara a bagunça, é que acabei de chegar e estou com uma ressaca filha da mãe, e por falar nisso, você não estava no “happy hour” de ontem, o que houve? – diz o Cândido, afrouxando a gravata e desligando o celular;
- Pois é, saí para conversar com o Roberto, meu marido, você lembra dele?
- Claro, gente boa, diga que mandei um abraço pra aquele danado;
- Como eu ia falando, o Roberto e eu estamos pensando em termos um filho, ou uma filha, ou quem sabe os dois, pois temos casos de gêmeos na família e nunca se sabe;
- Shirley minha filha, mas que coisa mais maravilhosa, que Deus abençoe esta decisão de vocês e, saiba que eu dou o maior apoio!
Fecha aparte do aparte
Mas enfim, um detalhe interessante da minha segunda paternidade é que o meu, isto é, o nosso segundo filho, vai nascer com o mesmo intervalo de tempo que eu tenho com relação a minha irmã, sendo que no caso desta relação, o menino é o mais novo. Vocês estão lembrados que são 6 (seis) anos de intervalo, né? Pois é, o 6 não para por aqui... Minha irmã e eu nascemos no mês de junho, “meiando” o ano, sexto mês de doze, igualmente a minha filha, Pietra (a do hãa!!!), que nasceu dia 24 de junho, dia de São João (24 é 2 + 4 = 6). Outra coisa interessante, é que a soma das datas de aniversário, minha, da minha irmã e da Pietra, isto é, dia 29 + 19 + 24 = 72, que divididos por 4 (incluímos o bebê na divisão) dá 12, o dobro de 6... São coincidências? Não sei não...
Fecha aparte
Fiquei impressionado com a habilidade da médica, com a mão direita ela passava um bastão, que estava ligado por um fio a uma “CPU”, captando as imagens de dentro do barrigão da Karina, coma mão esquerda ela ia escrevendo em um teclado, as dimensões de cada parte que ela estava examinando, de repente veio a pergunta:
- Ele já tem nome? – Neste momento a Karina me direciona um olhar, como quem diz: taí, queria porque queria dar nome ao filho e fica ensebando! Eu meio desconfiado tive que dizer que ainda não. A médica prosseguiu no exame e verificou o peso do bebê e lançou no monitor: rapaz, pesando 513g! Em tom de brincadeira, pois aqui em Fortaleza o humor está presente em todos os momentos, a médica falou baixinho: - olha aí, meio quilo de gente...
O moleque ainda nem nasceu e já começava a acumular pelo menos dois apelidos... Meio quilo...
Isso já está começando a preocupar.
- Você está ansioso para ver como é que ele é? – As mulheres são engraçadas, quando você não fala nada, não pergunta nada, ela faz uma pergunta pra você, só que quem reponde é ela mesma, a pergunta nada mais é do que um gancho, um brado, um pedido de atenção, e continuou:
- Eu estou! Queria ver como é o rostinho dele. Será que ele é careca como eu era ou é cabeludo? Você era careca? Como será que ele está aqui dentro? – E calou sem dar a mínima para minha resposta, como era de se esperar.
Eu realmente não estava ansioso, ao contrário, estava tranqüilo e minha única preocupação naquele momento era saber da saúde, as preces feitas por mim durante a noite, antes de dormir, pediam basicamente por isso e de outras pessoas queridas. Queria que ele estivesse saudável, crescendo direitinho, nos conformes médicos pediátricos e coisa e tal. Estava mais preocupado com a essência, o resto é o resto, qualquer coisa depois é só comprar uma peruca se for o caso, aproveito e compro logo uma pra mim, já que o meu cabelo está caindo... O bebê ainda nem tem cabelos e os meus já estão caindo, será que isso quer dizer alguma coisa? Quando eu ia começar a divagar sobre os cabelos, ausência de cabelos, “interlace”, apliques a atendente falou:
- Karina Coragem! Por favor... – nos levantamos num salto e uma moça foi nos conduzindo ao lugar onde seria feito o exame, caminhamos, até agora não sei porque, meio apressados, como se fosse urgente e houvesse a possibilidade de em caso de atraso, o bebê não pudesse nos esperar. Bem, chegamos em uma salinha à meia luz, teto rebaixado com gesso que, tornava o ambiente menor do que realmente era, e poucos móveis. Finalmente os preparativos foram iniciados com minha mulher deitando em uma cama, dessas de consultório – hãa !claro, estávamos em um consultório! (como diz a Pietra para alguém que não entende o óbvio). A Karina me abriu um tímido sorriso e levantou a blusa até a altura dos seios, deixando a barriga de 5 meses, redondinha, descoberta à mostra. Nesse momento, eu procurei um lugar para sentar e me posicionei atrás da médica e de frente para um monitor, onde o bebê ia aparecer, onde o show da vida iria começar, não sei porque me veio na cabeça agora o slogan do “fantástico” e a Isadora Ribeiro saindo da água com aqueles olhos verdes...
Abre aparte
Da união dos meus pais nasceram dois filhos. Eu, Jorge Antonio Ferreira de Carvalho, hoje com 37 anos de idade e minha irmã, Andrezza Ferreira de Carvalho, com 31 anos de idade, logo, como se pode observar, temos uma diferença de idade de seis anos de um pro outro, lapso temporal bastante razoável, e que quase não é mais utilizado hoje em dia, acredito que, ou em razão da velocidade com que as coisas acontecem, ou mesmo pela própria durabilidade das relações matrimoniais de hoje em dia.
Abre aparte do aparte
Hoje para se ter filhos, há de se fazer um planejamento minucioso, que envolve finanças, férias, período, conciliações com colegas de trabalho e muitas vezes, pasmem, até permissão do chefe! É verdade, tem gente, que com receio de perder o emprego, pergunta ao chefe se seria possível ter um filho. Que mundo é esse que estamos vivendo não é mesmo? Acho que são fantasmas da revolução industrial que ainda permanecem por aqui e vez por outra voltam para nós assombrar.
Veio na minha cabeça um, ou melhor os vários tipos de diálogos, de uma mulher com seu chefe (ou os vários tipos de chefes), sobre o fato de poder ter filhos ou não.
Com o chefe casca grossa
- Huff, coff, gasp, Seu Adamastor, se o senhor tiver um tempo, gostaria de falar sobre um assunto particular – diz apavorada a funcionária;
- Dona Matilde, quantas vezes já lhe falei que tempo é uma variável que já não temos mais! Vai, desembucha logo enquanto eu vejo esses e.mail’s. Que droga, derramou café!!!
- Não se preocupe, eu lhe ajudo, pode deixar que eu limpo...
- Tire a mão de mim, e fale logo o que você quer antes que eu perca minha paciência de vez!!!
- Huff, coff, gasp , é que eu e o Martinez, meu marido, estávamos pensando...
- Não me interessa o que você, o Martinez e o escambau estavam pensando, na verdade você nem é paga para pensar, você é uma executiva e como executiva tem que executar! E por falar nisso, você já fechou seu objetivo? Vai deixar para a última semana do mês? Quantas vezes eu tenho que repetir que na última semana ninguém compra nada!!!
Neste caso, se a Dona Matilde estava grávida, perdeu e se não estava desistiu.
Com o chefe sedutor
- Bom dia Richard, gostaria de ter um minutinho da sua atenção, em particular é claro...
- Claro Jackeline, pode falar... - Richard responde sem tirar os olhos do colo da funcionária.
- É que eu estava pensando em ter um filho...
- Huff, coff, gasp, mas agora?!
- É Richard, porque o espanto, já está mais do que na hora, tenho 30 anos e já estou me preparando desde os 26.
- Não falo pela hora, nem pela sua idade, pois realmente você está no ponto, falo pelo local pois estamos no trabalho e alguém pode entrar... Não pode ser depois do expediente, na minha casa ou quem sabe na sua?
- Richard, eu falei que quero ter um filho, mas não disse que esse filho teria que ser seu!
O chefe cabeça de bacalhau (a gente sabe que tem, mas nunca viu)
- Oi Cândido, bom dia! Se o você me permite, gostaria de trocar uma idéia. Sabe como é, queria sua opinião...
- Claro Shirley, pode entrar, sente-se... Não repara a bagunça, é que acabei de chegar e estou com uma ressaca filha da mãe, e por falar nisso, você não estava no “happy hour” de ontem, o que houve? – diz o Cândido, afrouxando a gravata e desligando o celular;
- Pois é, saí para conversar com o Roberto, meu marido, você lembra dele?
- Claro, gente boa, diga que mandei um abraço pra aquele danado;
- Como eu ia falando, o Roberto e eu estamos pensando em termos um filho, ou uma filha, ou quem sabe os dois, pois temos casos de gêmeos na família e nunca se sabe;
- Shirley minha filha, mas que coisa mais maravilhosa, que Deus abençoe esta decisão de vocês e, saiba que eu dou o maior apoio!
Fecha aparte do aparte
Mas enfim, um detalhe interessante da minha segunda paternidade é que o meu, isto é, o nosso segundo filho, vai nascer com o mesmo intervalo de tempo que eu tenho com relação a minha irmã, sendo que no caso desta relação, o menino é o mais novo. Vocês estão lembrados que são 6 (seis) anos de intervalo, né? Pois é, o 6 não para por aqui... Minha irmã e eu nascemos no mês de junho, “meiando” o ano, sexto mês de doze, igualmente a minha filha, Pietra (a do hãa!!!), que nasceu dia 24 de junho, dia de São João (24 é 2 + 4 = 6). Outra coisa interessante, é que a soma das datas de aniversário, minha, da minha irmã e da Pietra, isto é, dia 29 + 19 + 24 = 72, que divididos por 4 (incluímos o bebê na divisão) dá 12, o dobro de 6... São coincidências? Não sei não...
Fecha aparte
Fiquei impressionado com a habilidade da médica, com a mão direita ela passava um bastão, que estava ligado por um fio a uma “CPU”, captando as imagens de dentro do barrigão da Karina, coma mão esquerda ela ia escrevendo em um teclado, as dimensões de cada parte que ela estava examinando, de repente veio a pergunta:
- Ele já tem nome? – Neste momento a Karina me direciona um olhar, como quem diz: taí, queria porque queria dar nome ao filho e fica ensebando! Eu meio desconfiado tive que dizer que ainda não. A médica prosseguiu no exame e verificou o peso do bebê e lançou no monitor: rapaz, pesando 513g! Em tom de brincadeira, pois aqui em Fortaleza o humor está presente em todos os momentos, a médica falou baixinho: - olha aí, meio quilo de gente...
O moleque ainda nem nasceu e já começava a acumular pelo menos dois apelidos... Meio quilo...
Isso já está começando a preocupar.

1 Comentários:
Lindo o meio quilo da titia !!! É maravihoso acompanhar, mesmo que de longe, o turbilhão de emoções que envolve a espera de um filho... Tantas expectativas, sonhos, fantasias, sentimentos ... Dia a dia vamos preparando o coração para receber o Pedro Coragem de Carvalho !!! Quisera eu, poder também preparar e/ou arrumar o mundo, bem bonitinho, para recebê-lo !!!
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