3/13/2008

CHERAVALDO - O EMBATE

- Não é justo! Eu, que sofro as transformações do corpo, passo mal, enjôo, para você que passa os nove meses no bem bom, não sente nada disso que eu estou sentindo, vir colocar o nome - disse ela, com uma certa razão, admito. Mas...

- Amor, entenda isto como se fosse a pintura de um quadro onde o pintor sou eu! Você acha justo que ao final, eu, o grande autor, o artista, chamasse outra pessoa para dar nome à obra prima que eu pintei? – argumentei eu;

- Mas de quem é o quadro? – retrucou;

- O quadro é seu, sem dúvida, mas o pincel e a tinta são meus e além do mais você não pinta como eu pinto...

- Mas sem o quadro você...

- Eu poderia pintar em qualquer lugar: parede, poste, papel... – interrompi, finalizando e convencendo.

Passado o embate inicial, de definições de direitos, cheio de autoridade e com a grande responsabilidade de dar um nome que acompanhará ou perseguirá, dependendo da escolha, um ser humano por sua vida inteira, vi que não sabia por onde começar... Confesso que a partir disso se já era, fiquei mais atento à vida, as pessoas, a história, enfim, as coisas do mundo.



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