O Homem que bebe cerveja no supermercado.
Dia desses estava na fila do caixa em um supermercado de Belém, que junto a incursões por livrarias e lojas de CD’s, transformam qualquer dia “mais ou menos” em um grande dia para mim. Esperar alguma coisa, tanto faz se boa ou ruim é que não é uma ocupação agradável, mesmo que a espera seja breve e o lugar legal, pois é sempre chato. Para compensar esse momento, eu costumo tentar resolver pendências insolúveis da minha vida, é o momento em que eu jogo, mentalmente, uma praga pra um desafeto, falo mal de pessoas, reclamo da vida e observo, observo e observo. Foi assim que, nesse dia, encontrei um grande personagem: o homem que bebe cerveja no supermercado.
Tenho certeza, caro leitor, que você conhece o tipo, pelo menos superficialmente. Essa versão, companheira de fila, estava com uma calça de brim cáqui, uma “T-shirt” branca, vencida pelo tempo, com uma frase lembrando que esteve em algum lugar do Brasil, os cabelos desgrenhados, a barba sempre por fazer e tinha, pelo menos uns vinte quilos a mais acima do seu peso ideal. Agora, claro que existem outras versões. Por exemplo, a esportiva. Geralmente, se apresenta de bermuda de surfista e “T-shirt” estampada e detalhe: “katina surf” nos pezinhos. Em comum, a versão clássica e a esportiva, têm os cabelos desgrenhados, a barba por fazer e o olhar impaciente. A propósito, tanto em uma versão como na outra o tipo é casado.
Depois de vê-lo, passei a especular, a imaginar situações, a tentar ultrapassar a barreira superficial da aparência para, pelo menos, beliscar a essência desse personagem. De cara ele me fez pensar na solidão humana, não no fato de estar só e sim na capacidade de ser só. Fiquei dividido momentaneamente entre a instabilidade e a solidez verbais e comecei a simpatizar com aquele homem, que na verdade representava um pequeno número de homens espalhados pelo mundo, que iguais a ele, bebiam livremente, impunemente, cerveja nos supermercados, sem se importar com os outros homens iguais a mim, nesse caso a maioria, que se incomodavam com a anti-socialidade do ato.
Depois da simpatia, em seqüência, e não tenho vergonha de confessar, fui mordido não pelo bichinho da inveja, que de acordo com Zuenir Ventura, é o sentimento de querer que o outro não tenha, e sim pelo primo dele que é a cobiça. Naquele momento, mais do que nunca, eu queria aquela cerveja, quer dizer, não a cerveja em si, e sim tudo o que ela representava naquele instante para mim: aquela segurança despretensiosa, aquele desprezo pelo comum, aquela pressa de viver. Enfim, eu queria aquela liberdade desgrenhada e pelo menos uns vinte quilos acima do normal.
Triste e feliz ao mesmo tempo, era chegada a hora de pagar a conta e seguir em frente – eu, para a solidez; ele, para a instabilidade. Quem está certo ou errado nessa, sinceramente não sei dizer, mas que me deu vontade de tomar uma cerveja, isso me deu.
Tenho certeza, caro leitor, que você conhece o tipo, pelo menos superficialmente. Essa versão, companheira de fila, estava com uma calça de brim cáqui, uma “T-shirt” branca, vencida pelo tempo, com uma frase lembrando que esteve em algum lugar do Brasil, os cabelos desgrenhados, a barba sempre por fazer e tinha, pelo menos uns vinte quilos a mais acima do seu peso ideal. Agora, claro que existem outras versões. Por exemplo, a esportiva. Geralmente, se apresenta de bermuda de surfista e “T-shirt” estampada e detalhe: “katina surf” nos pezinhos. Em comum, a versão clássica e a esportiva, têm os cabelos desgrenhados, a barba por fazer e o olhar impaciente. A propósito, tanto em uma versão como na outra o tipo é casado.
Depois de vê-lo, passei a especular, a imaginar situações, a tentar ultrapassar a barreira superficial da aparência para, pelo menos, beliscar a essência desse personagem. De cara ele me fez pensar na solidão humana, não no fato de estar só e sim na capacidade de ser só. Fiquei dividido momentaneamente entre a instabilidade e a solidez verbais e comecei a simpatizar com aquele homem, que na verdade representava um pequeno número de homens espalhados pelo mundo, que iguais a ele, bebiam livremente, impunemente, cerveja nos supermercados, sem se importar com os outros homens iguais a mim, nesse caso a maioria, que se incomodavam com a anti-socialidade do ato.
Depois da simpatia, em seqüência, e não tenho vergonha de confessar, fui mordido não pelo bichinho da inveja, que de acordo com Zuenir Ventura, é o sentimento de querer que o outro não tenha, e sim pelo primo dele que é a cobiça. Naquele momento, mais do que nunca, eu queria aquela cerveja, quer dizer, não a cerveja em si, e sim tudo o que ela representava naquele instante para mim: aquela segurança despretensiosa, aquele desprezo pelo comum, aquela pressa de viver. Enfim, eu queria aquela liberdade desgrenhada e pelo menos uns vinte quilos acima do normal.
Triste e feliz ao mesmo tempo, era chegada a hora de pagar a conta e seguir em frente – eu, para a solidez; ele, para a instabilidade. Quem está certo ou errado nessa, sinceramente não sei dizer, mas que me deu vontade de tomar uma cerveja, isso me deu.

1 Comentários:
Prezado Cronista,
Dia desses eu estava no supermercado e tive a sorte de poder observar, in loco, esta incrível espécie tão bem dissecada pelo seu texto. Quase morro de rir ao identificar um "homem que bebe cerveja no supermercado". Imediatamente lembrei do seu escrito, que, sem brincadeira, considero genial. Esta é minha parte favorita: "Naquele momento, mais do que nunca, eu queria aquela cerveja, quer dizer, não a cerveja em si, e sim tudo o que ela representava naquele instante para mim: aquela segurança despretensiosa, aquele desprezo pelo comum, aquela pressa de viver. Enfim, eu queria aquela liberdade desgrenhada e pelo menos uns vinte quilos acima do normal".
Brilhante, Jorge! Parabéns! Aguardo pelas obras futuras.
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