1/07/2006

Fui considerado suspeito.

Sou um homem comum, tal qual aquele que o Caetano descreve na música Peter Gast. Sabe aquele? O que é projetado à total solidão pelo seu coração de poeta. Pois é, esse mesmo. Pensei um pouco antes de escrever isto, pois tive um certo receio de parecer arrogante e cheguei a conclusão, que essa simples argumentação, que é emprestada diga-se de passagem, não me tornaria arrogante.

Bem, eu na minha condição de homem comum, vivo obviamente uma vida comum, percorrendo caminhos comuns, comendo comidas comuns, conversando assuntos comuns, com amigos comuns – claro que excetuando o Ricardo que é louco, mas que nem por isso deixa de ser ou estar no rol de amigos - enfim, não sou nada especial e não pense você, caro leitor, que estou agindo como um falso modesto, ou que no fundo eu estou com a auto-estima baixa e quero elogios... Não é nada disso não, é apenas a minha opinião sobre a minha vida. Quer saber? Eu estou satisfeito com isso, até me orgulho e sei que contribui pra isso, para chegar, aproveitando o trocadilho, nesse lugar comum.

Apesar desta característica, que na verdade é mais uma condição ou um conjunto de qualidades e defeitos, pacificados com o tempo, fui considerado suspeito.

Imagino, caro leitor, que você agora está esperando que eu responda ou está perguntando a si mesmo: sim, mas suspeito de quê? Eu respondo: não interessa! O mais importante no momento é que um homem normal, que leva uma vida normal, foi considerado suspeito e isso é basta para a crônica e ainda sobre.

Tá bom, tudo bem. vou dar mais algumas informações sobre a suspeição, mas saiba mais uma vez, que isso não é o mais importante aqui. Pelo menos nessa crônica...

Só para constar, eu estava em um famoso hospital de Belém, pois estou acompanhando meu pai que agora está internado com alguns problemas de saúde, quando resolvi sair para fumar um cigarro, que igualmente a mim, era um cigarro comum. De certa forma, poderíamos até dizer que eu estava buscando meus futuros problemas de saúde, quando, no estrito cumprimento do seu dever, surge um segurança do hospital, que educadamente, porém sem disfarçar a desconfiança, indagou:

- Você está esperando alguém?

Nesse instante, surpreso, eu não atentei ao fato de que naquele momento eu representava, acordo com a percepção do segurança, um perigo para o hospital, quem sabe até mesmo um perigo para Belém e exagerando um pouco, um perigo para o mundo, e não percebendo, não tive presença de espírito suficiente para saborear o momento, pois como disse antes, sou um homem comum e como tal não me arriscaria a ser outro, ainda mais um tipo delinqüente qualquer.

Depois, quando o mal entendido já estava bem entendido e após ter sido multado em um cigarro pelo segurança, passei a imaginar que tipo de criminoso eu poderia dar. Vasculhei na memória os personagens guardados, tanto os fictícios quanto os reais e não me identifiquei que nenhum. Frustrado, rapidamente passei do criminoso para crime, do substantivo ao verbo, em busca de uma identificação malfeitora e nada.

Prestes a desistir de toda uma carreira criminosa, cheguei a conclusão que, com um pouco de esforço pessoal e alguns ajustes de conduta, poderia, no máximo no máximo, ser considerado um tarado. E ainda assim, um tarado do lar, pois sou casado e acho que minha mulher até aprovaria, o que nesse caso não só desclassificaria a conduta de criminosa, como eu passaria a ser tido como um herói, se formos levar em consideração a quantas anda o casamento por aí a fora. É, pensando bem, é melhor ser um tarado em casa do que um rei do crime na rua. Como diria Caetano: hei de viver e morrer como um homem comum.

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